Com índices recordes de inflação, o aumento de preços de medicamentos pode atrapalhar a rentabilidade nas farmácias. Listamos os principais pontos de atenção para o seu negócio!

Uma boa notícia para o empresário no varejo brasileiro: a previsão da inflação para 2022 recuou em julho, caindo de 7,15% para 7,11%. Essa redução, apresentada no último Boletim Focus do Banco Central, apoiou-se principalmente na desaceleração do aumento de preços no mês de julho.

Porém, os efeitos da crise econômica ainda continuam nos setores do comércio, como as farmácias. Historicamente, o setor farmacêutico tem maior capacidade de sobreviver ao aumento de preços e ao impacto da inflação.

Isso ocorre porque os medicamentos são bens inelásticos. Ou seja, são itens de consumo essenciais na cesta do consumidor, junto dos alimentos.

Mas isso não impede que as farmácias sintam o impacto do aumento de preços de medicamentos na rentabilidade.

Todo ano, o governo estipula novos limites para a precificação de medicamentos, por meio da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed).

Segundo o IBGE, a alta acumulada ficou em 13,81% nos últimos 12 meses, sendo o maior aumento em abril, com o índice em 6,13%. Nesse contexto, os empresários precisam buscar formas de melhorar a gestão de custos.

Para desenvolver as estratégias, é importante entender os principais efeitos do aumento de preços dos medicamentos nas farmácias. Neste artigo, vamos apontar como esse fenômeno afeta as vendas e os resultados. Veja a seguir!

O QUE VOCÊ VAI VER:

Dificuldade no repasse de custos

Com o aumento de preços de medicamentos, o consumidor passa a comprar menos. A prioridade passa a ser os artigos de primeira necessidade.

Quem mais sofre são os pequenos negócios, que encontram maior dificuldade para fazer o repasse de preços sem perder margem. Do outro lado, porém, as grandes redes também perdem lucratividade, apesar do maior poder de barganha.
Assim, os lojistas precisam determinar como será feito o aumento de preços nos produtos. Com margens mais apertadas, há uma maior pressão para reformular a estratégia de precificação.
Fábio Mendes, economista da Federação Nacional do Comércio (CNC), aponta em entrevista para o canal Farma Contábil, que a inflação chega mais alta para o empresário.

Segundo ele, quando os índices oficiais ficaram em torno de 11% no país, os números chegaram a 18% para o lojista. Essa situação ocorre porque as farmácias não conseguem repassar todos os custos do negócio.

Foco na gestão de custos fixos

Para enfrentar os efeitos da inflação, os empresários precisam contar com uma gestão de custos eficiente. Assim, o aumento de preços dos medicamentos e a redução na demanda exigem repensar os gastos com o negócio.

Quando as margens passam a ficar apertadas, a gestão de custos é inevitável. O aumento de custos dos medicamentos precisa ser compensado com cortes no orçamento, compreendendo a atual situação do negócio e do mercado.
Quando as margens passam a ficar apertadas, a gestão de custos é inevitável. O aumento de custos dos medicamentos precisa ser compensado com cortes no orçamento, compreendendo a atual situação do negócio e do mercado.

Isso inclui questões como a quantidade de empregados, custos fixos e as estratégias para aumentar as vendas. É preciso analisar os contextos de mercado e situações do momento, como foi o caso da pandemia.

Com mais pessoas em casa, o investimento maior em delivery se fez necessário. Consequentemente, a quantidade de vendedores nas farmácias precisou ser reduzida.
Outro ponto que influenciou bastante foi a atual crise hídrica, que pesa bastante a conta de energia do consumidor, inclusive para os comerciantes. Em 2021, foi registrada a maior estiagem em 91 anos e o governo chegou até a criar novas tarifas de cobrança na conta de luz, com o patamar 2 da bandeira vermelha.
Já o transporte de produtos foi bastante afetado pelo aumento de preços nos combustíveis.

A guerra entre Ucrânia e Rússia contribuiu neste aumento, pois a Rússia é o segundo maior produtor e exportador de petróleo do mundo. Devido às sanções impostas pelos Estados Unidos e União Europeia, o fornecimento ficou mais escasso, provocando alta no mundo todo.

Perda de poder de compra dos clientes

Com o aumento de preços dos medicamentos, há uma redução no poder de compra dos consumidores. A quantidade de produtos na cesta diminui, mantendo o foco nos kits essenciais.

Essa alta, inclusive, tende a acompanhar um movimento de inflação no mercado que afeta outros negócios, bem como a geração de empregos. Com a renda do consumidor instável, ele passa a comprar menos e isso incita ainda mais o aumento de preços.

Novamente, é o que ocorreu na pandemia. A crise inflacionária provocou um maior desemprego e aumentou a exclusão social. Segundo uma pesquisa encomendada pela CNN, aproximadamente 90% das profissões brasileiras registraram queda no poder de compra entre março de 2021 e o mesmo mês de 2022.

Alteração no mix de produto

Outro ponto afetado pelo aumento de preços é o mix de produtos. Com um consumidor mais exigente, os itens que tendem a vender mais são os inelásticos. Os medicamentos, por si só, são considerados necessários na cesta de compras, mas outros produtos podem ficar de lado, como cosméticos.

Como os medicamentos são bens inelásticos, eles continuam na cesta do consumidor, mesmo com o aumento de preços. Outros itens, porém, precisam ser repensados no estoque, como as linhas premium e produtos importados.
Como os medicamentos são bens inelásticos, eles continuam na cesta do consumidor, mesmo com o aumento de preços. Outros itens, porém, precisam ser repensados no estoque, como as linhas premium e produtos importados.

A sazonalidade também tem influência nessa questão. Por exemplo: ao mesmo tempo em que elevou os preços, a pandemia criou novas demandas. Foi assim com a procura por vitaminas e até itens antes inexistentes nas farmácias, como máscaras e testes de Covid.

Por outro lado, como as pessoas ficaram mais em casa, houve menor procura por produtos de beleza, cabelo e maquiagem. Para atacar nesse ponto, muitas farmácias optaram por criar marcas próprias, já que a produção interna ajuda a proporcionar descontos e ofertas ao consumidor.

Além disso, os lojistas podem repensar a relação com os fornecedores. Eles focam em produtos de marcas mais populares, deixando de lado os produtos premium que vendem menos.

Falta de medicamentos no estoque

O aumento de preços também se relaciona com a disponibilidade de medicamentos e outros produtos nas farmácias.

Por um lado, as farmácias tendem a fazer uma gestão de custos com foco em extrair o máximo possível de margem. Há uma redução na quantidade de determinados produtos nas prateleiras quando não há uma demanda aquecida para os mesmos.

Por outro lado, os próprios fornecedores podem ter dificuldades para manter as entregas dos produtos. É o que tem ocorrido em 2022: farmácias e hospitais se vêem com a falta de vários medicamentos no estoque.

Segundo uma pesquisa feita pelo Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) com 1152 farmacêuticos no estado, 98% das farmácias e drogarias enfrentam problemas de desabastecimento.

As causas principais são o aumento da demanda, influenciada por situações como a pandemia e a escassez na origem (fornecedores).

Além disso, com a inflação em alta, o custo de importação de matéria-prima fica mais caro, o que pode afetar a disponibilidade de estoque para vendas.

Redução da lucratividade

Com a dificuldade em fazer o repasse de custos, consequentemente, as farmácias precisam encarar a redução na lucratividade. Uma série de fatores influencia nessa questão, como os custos necessários para manter o negócio.

O aumento de preços normalmente é uma consequência da inflação, que incide também sobre outros produtos. É o caso, por exemplo, da matéria-prima utilizada nos medicamentos. Há um custo mais elevado para a produção, encarecendo os produtos e forçando o lojista a reduzir a margem.

Há um contraste entre o aumento de preços para reter margem e o que o consumidor está disposto a pagar. As farmácias, então, tendem a segurar ao máximo o repasse de custos em favor da quantidade de vendas.

Porém, em algum momento, os custos precisam ser repassados. É nesse contexto que os lojistas acabam tendo redução na lucratividade ou perda de receita.

Nesse cenário desafiador da inflação afetando o varejo em escala geral, as farmácias precisam criar estratégias de precificação inteligentes no intuito de se manterem competitivas.

Para ajudar nesse objetivo, a Proffer oferece um modelo de gestão de preços que identifica o preço ideal para cada produto em cada loja, conforme variáveis personalizadas.

Nossos algoritmos fornecem sugestões otimizadas para melhorar as tomadas de decisão referentes ao aumento de preços de medicamentos, ajudando a melhorar a lucratividade do seu negócio.

Além disso, a Proffer tem módulos que ajudam a encontrar erros de precificação no sistema e permitem fazer pesquisas sobre o preço da concorrência.

Quer saber mais sobre nossas soluções e como elas podem reduzir os efeitos do aumentos de preços? Entre em contato com nossa equipe!